Lista dos melhores concertos de 2008 em Portugal (dos que eu assisti, entenda-se…)

6 01 2009

Sim, é mais uma lista (o final de um ano / princípio de outro costuma ser bastante produtivo neste tipo de dissertações…). Desta vez venho apresentar-vos a lista dos melhores concertos a que tive a oportunidade de assistir este ano, apresentando um pequeno resumo de porque seleccionei cada um deles.

Iron Maiden + Slayer – Super Bock Super Rock 2008 @ Parque Tejo

Como não podia deixar de ser, o destaque este ano vai totalmente para o regresso dos Iron Maiden ao nosso país. Apesar de não ser novidade nenhuma (a banda já nos visitou várias vezes ao longo da carreira) este concerto gerava à partida expectativas muito especiais por estar integrada na Somewhere Back In Time World Tour 08. E a verdade é que essas expectativas não foram defraudadas. Tudo nesta digressão foi pensado ao pormenor, começando pelos sumptuosos cenários da digressão de promoção do álbum Powerslave até aos efeitos de luz de palco e pirotecnia, algo a que nunca tinha assistido com tanto ênfase num concerto de Iron Maiden. Não me vou alongar nos relatos deste concerto, apenas vos digo que foi o melhor concerto de Iron Maiden a que assisti, e provavelmente, opinião corroborada por quem os acompanha nestas andanças à mais tempo que eu, um dos melhores concertos que os ingleses já deram no nosso território (senão mesmo o melhor). Ainda hoje não consigo apagar da minha memória os momentos especiais que foram ver Bruce Dickinson envergar um manto negro à entrada de Rime Of The Ancient Mariner nem o efeito cénico criado durante a parte de narração desta música, com muito fumo e poucas luzes de palco, simulando na perfeição o barco à deriva no meio do nevoeiro que o texto descreve (conheço quem tenha ficado banhada em lágrimas perante este cenário), ou o fato de soldado que o mesmo Bruce Dickinson envergava enquanto empunhava a bandeira inglesa e cantava The Trooper, num longo desfilar de clássicos da melhor fase do grupo num setlist perfeito (e pouco mais há a dizer em relação a isto, porque Maiden é Maiden e não há volta a dar). Excepção feita para Fear Of The Dark que foi a única música mais recente que a banda tocou e que pessoalmente dispensava por mais um clássico de Seventh Son Of A Seventh Son ou Powerslave. E nem os ocasionais pregos (mais do que é costume para a banda) conseguiram estragar o ambiente de festa que se gerou no recinto (provocados, de acordo com fontes bem informadas, pela paixão que alguns elementos da banda nutrem pelo vinho português), suplantados pela entrega que a banda dedicou ao espectáculo. Quem foi sabe bem do que estou a falar, os que não foram podem resignar-se no arrependimento que irão carregar para a cova.
A acompanhar tivemos também o regresso em boa forma dos Slayer aos palcos portugueses, demonstrando porque razão são uma das bandas de culto do universo “metálico” mundial, e não eram poucos os que estavam lá para os ver.
Como nota negativa, apenas tenho a apontar o dedo à organização que decidiu trocar o alinhamento das bandas porque não souberam criar as condições para que as pessoas pudessem voltar para casa a horas tardias. Será que era muito difícil disponibilizar meios de transporte para os espectadores poderem voltar após o fim dos concertos? Principalmente tendo em conta a longa lista de patrocinadores oficiais do evento. Já para não falar dos preços indecentemente cobrados pelos autocarros da Carris para fazer o trajecto até à Gare do Oriente para depois apanhar mais transportes públicos. Infelizmente a Música no Coração tem muito a aprender em termos de profissionalismo para ver se têm um pouco mais de respeito pelo público que paga (e não é pouco) para ir a um festival e que merece melhor tratamento… Já vi mais profissionalismo e melhores organizações feitas por entidades amadoras, mas como em tudo já se sabe que quem só vê €€ à frente dos olhos não pode ser comparado a quem corre por gosto.

Iron Maiden @ SBSR 2008
Iron Maiden @ SBSR 2008
Iron Maiden @ SBSR 2008
Slayer @ SBSR 2008
Slayer @ SBSR 2008

Porcupine Tree @ Incrível Almadense

O meu segundo destaque vai inteiramente para o concerto dado pela banda de Prog Rock/Metal Porcupine Tree. Senhores de um já extenso catálogo de discos de qualidade indiscutível, estes músicos de eleição proporcionaram um concerto soberbo, aliando na perfeição a sua música com projecção de imagens e efeitos de luzes muito bem concebidos, criando a atmosfera perfeita para as composições de Steve Wilson e companhia. Em digressão de promoção ao EP Nil Recurring e ao álbum Fear Of A Blank Planet e, naturalmente, com maior destaque nesta fase da sua carreira, a banda soube apoiar-se num setlist equilibrado não esquecendo as outras fases, havendo espaço até para algumas surpresas como Stars Die, música que de acordo com as palavras do próprio Steve Wilson nunca tinha sido interpretada em palco anteriormente. O próprio espaço da sala da Incrível Almadense proporcionou um ambiente de intimidade entre músicos e público. E foi deveras interessante constatar a diversidade da “fauna” presente, cobrindo várias faixas etárias e estilos. Não faço ideia quem poderá interessar-se por este texto, mas bem posso dizer-vos que esta banda já merecia algum destaque, bem superior ao que tem sido divulgado no nosso país.

Porcupine Tree @ Incrivel Almadense
Porcupine Tree @ Incrivel Almadense
Porcupine Tree

Whitesnake – XVIII Expofacic @ Cantanhede

O terceiro destaque vai para o regresso dos Whitesnake ao nosso país, desta vez num sítio mais que improvável. A Expofacic realizada em Cantanhede (Coimbra) organizou uma série de concertos dos quais um dos dias recebeu os Whitesnake em digressão de promoção a Good To Be Bad, o mais recente trabalho da banda. Editado no decorrer deste ano (poderão ver alguns destaques a este trabalho em alguns posts mais abaixo e noutros mais antigos), este é já o 11.º álbum de originais da mítica banda de Hard Rock, rompendo com um estado de latência que durava à 11 anos. Havia muita curiosidade da minha parte em ver os temas deste novo trabalho interpretados ao vivo, mas a verdade é que a banda tem uma extensa discografia e muitos clássicos para tocar, pelo que os novos temas acabaram por não ser assim tantos. Mas os que foram interpretados não deixaram nada a desejar à carreira dos Whitesnake, se bem que foram naturalmente recebidos com menos entusiasmo pelo público, manifestando um claro desconhecimento em relação ao material novo. O tempo irá certamente estabelecer este álbum como um dos melhores da carreira do grupo. Quem teve oportunidade de ir assistiu a um concerto com a qualidade usual a que o grupo já nos habituou. Acompanhado por uma formação de qualidade, onde se destacam a dupla de guitarristas Doug Aldrich e Reb Beach, assistiu-se a um Coverdale com a voz um pouco gasta mas com o carisma e a presença de sempre, sabendo conduzir o público que apresentava um teor um pouco mais heterogéneo que o habitual, misto de rockers e metalheads do costume com famílias inteiras lá da terra guiadas pela curiosidade. E desta vez não tivemos a habitual pergunta “Cantanhede: is this still the city of Love?” da parte do sr. Coverdale antes de Is This Love, provavelmente por Cantanhede ser uma palavra de difícil pronunciação para um inglês. Pena é que não houvesse barragem à entrada do recinto para animais, uma vez que deixaram entrar duas espécies do género bovino vindas de terras espanholas que conseguiram incomodar toda a gente que ali se encontrava em seu redor. Mas pronto, tendo em conta que se tratava de uma feira agrícola (segundo dizem), até acabou por ser apropriado ao tema da feira. Pode-se dizer que tiveram sorte em não serem toureados ali em pleno concerto… Agradeçam aos Whitesnake por isso.

Whitesnake @ Cantanhede
Whitesnake @ Cantanhede

Down @ Coliseu dos Recreios

Os Down podem ser uma banda relativamente desconhecida no panorama português, pelo menos a julgar pela afluência de público registada, mas o stoner rock/metal praticado pelo grupo é viciante. Para quem não conhece, esta banda é um super-grupo que integra elementos dos extintos Pantera, Corrosion Of Conformity, Crowbar e Eyehategod. Como se isto não fosse já motivo mais que suficiente para gerar curiosidade, o resultado é um stoner metal na melhor tradição “Black Sabbathiana” com laivos do melhor rock sulista, condensados num som coeso e poderoso capaz de trucidar quem se mete no seu caminho. Foi num coliseu dos recreios relativamente despido de gente que os Down se apresentaram pela 1.ª vez ao público português. Tal cenário até pode ser enganador porque mesmo assim ainda estava lá bastante gente, mas revela um erro de casting brutal por parte da organização para a realização de tal evento. Numa sala de menores dimensões, tenho a certeza que teria esgotado. O problema é que salas de concertos de pequeno porte dignas desse nome na zona de Lisboa infelizmente começam a faltar desde que o Paradise Garage (que já de si também não era um espectáculo) abdicou desse serviço cultural e dedicou-se unicamente a ser mais uma casa nocturna como as outras (you can rot in hell, for all that I care…). Nada que intimidasse Phil Anselmo y sus muchachos, que não se rogaram à oportunidade de nos presentear com a sua música, num concerto em final de digressão onde deu para tudo, até para cantar os parabéns ao manager da banda e vê-lo tocar (trata-se de um dos guitarrista de Skid Row) e ver técnicos de luzes e roadies a tocarem malhas de Down, numa sessão de improviso, enquanto a banda se dedicava a beber umas cervejas e aos fumos. Interessante foi ainda a não existência de banda de suporte, que foi colmatada com a projecção de um filme/documentário sobre o grupo e filmagens das suas peripécias, junto com vídeos das bandas que servem de influência à sua sonoridade, onde nome óbvios como Black Sabbath e Lynyrd Skynyrd se juntam a nomes não tão óbvios como Scorpions e Thin Lizzy. A ideia foi boa e até é capaz de pegar moda, poupando-nos de ter que levar com a banda dos amigos dos organizadores como muita vez acontece por cá, infelizmente, independentemente de quais bandas de qualidade da nossa “cena” (que até existem por aí) se enquadrariam com a sonoridade dos cabeças de cartaz. Ficou ainda a promessa de Phil Anselmo em ver o Coliseu cheio da próxima vez que voltarem. Será que isso vai acontecer? A julgar pelo interesse que o público português revela pelos concertos que se realizam em Portugal, duvido… Serão reflexos da crise ou simplesmente uma elevada falha a nível cultural? Vocês que decidam…

Down @ Lisboa
Down @ Lisboa
Down @ Lisboa

Queensrÿche – Operation: Mindcrime Tour @ Aula Magna

Estreia em Portugal (tardia, diria eu) de uma das bandas mais proeminentes do Heavy Metal / Progressivo americano (e, porque não, mundial, 20 milhões de vendas não enganam). Banda que teve o seu apogeu nos finais dos anos 80 / princípio dos anos 90 e que foram responsáveis por alguns dos melhores álbuns do género, no qual o conceptual Operation: Mindcrime foi o mais proeminente de todos e um clássico absoluto para qualquer fã de Heavy Metal que se preze. Foi exactamente dentro da temática desse álbum que os Queensrÿche nos presentearam com a sua presença, tocando o álbum na íntegra para gáudio de todos os que se deslocaram à imponente sala situada na cidade universitária. Num cenário adaptado para representar a trama no qual se baseia o álbum, apresentaram um concerto teatral onde os adereços e a presença de actores secundários para a representação e narração da história não faltaram. Nada melhor pode descrever aquilo a que se assistiu como o comentário do homem já com alguns cabelos grisalhos que se encontrava sentado ao meu lado, após o final de Eyes Of A Stranger e todas as manifestações de agrado do público presente enquanto a banda se dirigia para a primeira pausa no concerto, que com um rosto onde se espelhava alegria e êxtase apenas me conseguiu pronunciar a palavra “Espectacular”, à qual eu correspondi com igual satisfação. Após esta pausa, a banda voltou ao palco para interpretar na íntegra o álbum Operation: Mindcrime II, editado em 2006 e que retoma a história desenvolvida no seu predecessor para a completar. Infelizmente, por mais voltas que se dê, o material desenvolvido neste álbum (letras à parte) não possui a mesma qualidade do clássico intemporal que a banda criou em 1988, o que acabou por prejudicar a actuação do grupo. A banda voltou ainda para um encore perante um público que entretanto já se encontrava de pé, abandonando as cadeiras onde até então tinha assistido ao concerto, completamente rendido à actuação da banda, para assistir à interpretação de mais 3 músicas retiradas de Empire, outro álbum clássico na carreira do grupo, já sem o recurso a adereços e figurantes, num ambiente de concerto rock / metal pela 1.ª vez nessa noite. Em suma, um concerto de quase 3 horas que a banda nos ofereceu. Para recordar.

Queensryche @ Aula Magna
Queensryche @ Aula Magna
Queensryche @ Aula Magna

Metallica + Machine Head + Apocalyptica + Metallica – Rock in Rio Lisboa @ Parque da Bela Vista

É com alguma pena que vos confesso que este concerto, desta lista que vos apresento, foi o que menos me agradou. Bem sei que muitos de vocês não irão concordar com esta opinião, mas posso-vos dizer que é a mais sincera que vos posso dar, tendo em conta também os restantes concertos a que aqui fiz referência. Aquilo a que assisti neste concerto de Metallica foi uma banda a meio-gás que estava a cumprir calendário. Pelo menos comparando com a edição anterior do Rock In Rio onde os Metallica actuaram e com o concerto dado o ano passado no Super Bock Super Rock, segundo relatos, porque este último, infelizmente, não tive oportunidade de assistir. Desta vez não houve nenhum momento especial como a Blackned ou a mais-que-fundo-de-catálogo Leper Messiah com que a banda nos brindou na edição anterior, mesmo com a banda a fazer promoção ao famigerado Saint Anger. Nem como Orion, mesmo sem Cliff Burton (Rest In Peace brother), como no ano passado. Foram uns Metallica que mesmo sem pica ou motivação extra já têm traquejo mais que suficiente para proporcionar um espectáculo agradável para um público que os idolatra, mas pouco mais que isso, não faltando as habituais músicas emblemáticas da carreira da banda. E o que dizer do público? Dividido entre os já batidos que instalaram um caos saudável na zona onde me encontrava e os tenrinhos adolescentes (fãs de Tokio Hotel??) que ali se encontravam e que nada faziam para contrariar os empurrões constantes, saí do concerto com os braços dormentes de tanto empurrar para arranjar espaço para respirar, até que me rendi às evidências e fui procurar um lugar onde pudesse assistir ao concerto sem ser pelos monitores, o mais perto do palco que consegui. Nunca me doeu tanto os braços no dia a seguir a um concerto, e para quem já assistiu a concertos de Napalm Death, onde mosh e gajos pelo ar é coisa que não falta é dizer muito… Antes dos Metallica tive a oportunidade para assistir a um concerto potente dos Machine Head, prejudicados pelo som, e onde o momento alto foi a interpretação de uma malha de Iron Maiden (go figure…) e que pouco mais de relevo consigo me lembrar (tivessem dado maior destaque ao álbum Burn My Eyes e aí a história certamente teria sido outra). Antes, tivemos ainda um agradável concerto dos Apocalyptica, melhores agora com uma formação onde se inclui um baterista mas onde infelizmente a maioria do material é instrumental, e uns Moonspell pujantes e em boa forma, fruto do espírito renovado na banda que se consegue sentir até para quem está de fora. Tudo integrado num recinto onde nada falta e onde tudo é pago a peso de ouro. Felizmente consegui arranjar um bilhete a preços mais em conta (a big thank you, my friend…). Por um mundo melhor (??) dizem eles. Só se for nos bolsos deles… Nota final para a organização: existem mais bandas com qualidade comprovada que vocês podem convidar para a próxima edição e que – pasme-se!!! – poderão exigir cachets menos avultados, e assim também poderão fugir ao cliché e à repetição a que vocês próprios votaram o festival. Pelo menos no dia de Metal, que nos outros podem fazer o que quiserem que aí não racho lenha. E a julgar pelas edições já realizadas é uma exigência que se pode fazer dado que o dia do Metal é dos que tem registado boas e constantes afluências de público.

Metallica @ Rock In Rio 2008
Metallica @ Rock In Rio 2008
Metallica @ Rock In Rio 2008

Bem, resta-nos esperar pelas surpresas que o novo ano nos reserva, enquanto eu assisto em desespero e impotente, nas actualizações e recados no meu myspace, às frequentes digressões de bandas que vêm à vizinha Espanha e retornam à Europa central porque Portugal simplesmente não é um mercado aliciante. Para já, já temos marcado um Priest Feast onde terei a oportunidade de reencontrar os Judas Priest e os Testament (que belas recordações guardo do concerto em Corroios!!!) mais uns Megadeth que eu espero estejam em boa forma e não me desapontem.
Já agora, se me permitem, quero formular um desejo: Richie Kotzen em Portugal para um espectáculo, pode ser até mesmo no Music Box, sítio onde têm sido enfiadas as velhas glórias do Hard Rock que nos têm visitado, que aquilo se calhar nem enche. Haja cultura em Portugal…

the_passenger

PS:  Nenhuma destas fotos é da minha autoria, foram todas encontradas algures na net. Honra seja feita aos respectivos autores, porque algumas estão simplesmente espectaculares





John Ford: “O” realizador

5 01 2009

 

De quando em vez, para desenjoar de programações ocas e fúetis, somos brindados com verdadeiras pérolas, com verdadeiros clássicos do Cinema e da TV a que o tempo só veio dar mais brilho.

 

Este sábado a TV2 apresentou um serão de luxo. Começou com “The searchers“, um fantástico filme que o insuspeito Steven Spielberg disse estar entre os 10 melhores filmes de sempre.

 

O serão continuou com um documentário sobre John Ford, o realizador desse filme e um dos mais prolificos realizadores de sempre.

 

Ford é hoje mais conhecido como o realizador dos westerns, mas foi mais, muito mais do que isso.

 

Ford é o realizador do crescimento dos EUA como uma nação, mas também foi um dos melhores realizadores que conseguiu captar a crueza da natureza humana, com todos os seus defeitos e imperfeições.

 

As suas personagens muito humanas, cheias de defeitos, que odeiam, que traem, são já marcos da história do cinema. Mas John Ford era também o realizador da redenção, daquele último gesto de altruismo e de humanidade que redimiam as personagens de todos os seus pecados. O seu passado irlandês e fortemente católico marcaram a sua cosmovisão e influenciaram sobremaneira a sua obra.

 

John Ford trabalhou com actores tão importantes como James Stewart, Henry Fonda, Spencer Tracy entre outros mas seria injusto relevar a importância que John Wayne teve na sua obra. Como qualquer bom realizador tinha um actor fetiche e Ford encontrou em John Wayne o veículo priveligiado para as suas personagens mais marcantes.

 

Ford sempre teve uma relação muito grande com as histórias humanas que simbolizavam as diferentes fases da jovem nação americana. Ele percebeu como ninguém que uma nação nova e voluntariosa precisava de mitos e hoje ninguém ousa dizer que Ford não foi o grande contador de histórias da América.

 

O resto do mundo agradece.

(texto também disponivel em http://camaradecomuns.blogs.sapo.pt/)




Lista dos melhores discos do ano 2008 da revista Roadie Crew

2 01 2009

Aqui fica a lista dos melhores discos do ano 2008 da equipa da revista Roadie Crew (Brasil)

1.º  AC/DC – Black Ice
AC/DC - Black Ice

2.º Testament – The Formation Of Damnation
Testament - The Formation Of Damnation

3.º Motorhead – Motorizer
Motorhead - Motorizer

4.º Whitesnake – Good To Be Bad
Whitesnake - Good To Be Bad

5.º Cavalera Conspiracy – Inflikted
Cavalera Conspiracy - Inflikted

6.º Metallica – Death Magnetic
Metallica - Death Magnetic

7.º Soulfly – Conquer
Soulfly - Conquer

8.º Krisiun – Southern Storm
Krisiun - Southern Storm

9.º Torture Squad – Hellbound
Torture Squad - Hellbound

10.º Alice Cooper – Along Came A Spider
Alice Cooper - Along Came A Spider

the_passenger





Lista pessoal dos melhores discos do ano 2008

2 01 2009

Com o final do ano vêm sempre os balanços de tudo e mais alguma coisa. Enquanto esperamos pelas listas de melhores edições discográficas de 2008 feitas pela imprensa especializada, deixo-vos aqui a minha lista pessoal dentro do espectro Metal / Hard Rock (mais Metal que Hard Rock, para ser honesto, este ano o espectro Hard Rock não me impressionou muito salvo uma honrosa excepção!!), para quem tiver interesse ou curiosidade em ouvir umas propostas nestes géneros musicais por nós tão amados…

Opeth – Watershed
Opeth - Watershed

Testament – The Formation Of Damnation
Testament - The Formation Of Damnation

Amon Amarth – Twilight Of The Thunder God
Amon Amrth - Twilight Of The Thunder God

Moonspell – Night Eternal
Moonspell - Night Eternal

Whitesnake – Good To Be Bad
Whitesnake - Good To Be Bad

Bloodbath – The Fathomless Mastery
Bloodbath - The Fathomless Mastery

Evergrey – Torn
Evergrey - Torn

Meshuggah – ObZen
Meshuggah - ObZen

Destruction – D.E.V.O.L.U.T.I.O.N.
Destrcution - Devolution

Warrel Dane – Praises To The War Machine
Warrel Dane - Praises To The War Machine

the_passenger





Melhor Banda Internacional de 2008: Last Shadow Puppets

1 01 2009




Sisters of Mercy

30 12 2008





Annie Lennox Love song for a Vampire

25 12 2008


Come into these arms again
And lay your body down
Th rhythm of this trembling heart
Is beating like a drum.
It beats for you, it bleeds for you
It knows not how it sounds.
For it is the drum of drums
It is the song of songs.

Once I had the rarest rose that
ever deigned to bloom.
Cruel winter chilled the balm,
And stole my flower too soon
O loneliness, O hopelessness
To search the ends of time,
For there is in all the world
No greater love than mine.

Love….Still falls the rain.
Still falls the night.
Be mine forever…

Let me be the only one
To keep you from the cold.
Now the floor of heavn is laid,
Its stars of brightest glow.
They shine for you.
They shine for you.
They burn for all to see.
Come into these arms again
And set this spirit free.





Compay Segundo

15 12 2008

 Aos cinco anos, com o falecimento de sua avó, mudou-se com sua família para a cidade de Santiago de Cuba. Compay Segundo afirmava que, desde os cinco anos, acendia os puros (charutos) para sua avó. Desde então, não deixou o hábito de fumar. Em Santiago, fez o que grande parte da população cubana fazia: aprendeu o ofício de enrolador de charutos. Ao mesmo tempo, dava aulas com uma jovem que o introduziu nos segredos do pentagrama, Noemí Toro. Por sua influência, Repilado optou pelo clarinete. Foi tocando este instrumento que Repilado fez sua primeira viagem a Havana, em 1929, com a Banda Municipal de Musica, na ocasião da inauguração do Capitolio Nacional.

Em 1935, com o guarachero Ñico Saquito e sua banda Cuban Star, viajou novamente à capital cubana – desta feita, para lá residir definitivamente.

Autodidata do violão, criou um novo instrumento de corda, mesclando aqueles instrumentos, o armónico. Muitas de suas composições musicais se caracterizam por seu conteúdo imaginativo e grande senso de humor. Na década de 30, com o quarteto Hatuey, viajou ao México, onde participou em dois filmes, México Lindo e Tierra Brava.

20060602163520-compay-segundo-21

Também foi no México onde integrou, como clarinetista, o grupo Matamoros e teve a oportunidade de trabalhar com o músico Benny Moré. Lá, também, fundou, em 1942, a dupla Los Compadres, cantando com o cubano Lorenzo Hierrezuelo. Lorenzo era a primeira voz e tinha o apelido de Compay Primo (primeiro compadre), enquanto Repilado era a segunda voz, o Compay Segundo, pseudônimo que o acompanhou até o fim de seus dias e pelo qual é reconhecido mundialmente.

Sobre o fato de que a segunda voz na música passou a se perder, sobretudo após as décadas de 40 e 50, Compay Segundo declarou “Os jovens não querem acompanhar nenhum cantor. Todos querem ser estrelas do dia para a noite. Veja quantos anos eu tive de esperar, quantos caminhos tive de andar, em quantos eventos tive de participar. E cá estou começando, nunca acabando.”

Sua carreira teve inúmeras mudanças; integrou o sexteto Los Seis Ases, o Cuarteto Cubanacán, e foi clarinetista da Banda Municipal de Santiago de Cuba. Em 1956 criou o grupo Compay Segundo y sus Muchachos, com quem trabalhou até sua morte.

Compay Segundo foi um artista único. A maneira que produzia o som se ajustava ao modelo da zona oriental de Cuba, pelo que é reconhecido como um grande representante da cubanía.

Os estilos em que transitava eram: son, guaracha, bolero, além de canciones com marcados matizes caribenhos. Sua voz, grave e redonda, acompanhou célebres cantores de fama internacional. Com os muchachos de seu grupo, foi capaz de fazer dançar multidões de todos os continentes. Realizou turnês pela América Latina e Europa, particularmente Espanha, onde gravou seus últimos discos. Sobretudo partir de 1992, criou-se, na Espanha, um ambiente favorável para a trova e o son tradicional e foram convidados antigos e respeitados músicos desse estilo. Com isso, em 1995, Compay Segundo teve uma antologia sua organizada por Santiago Auserón, e foi o início de sua consagração internacional e a retomada de sua carreira artística.

Compay Segundo participou ativamente do ambicioso projeto Buena Vista Social Club, um disco produzido por Ry Cooder, em 1996, em que se reuniram os grandes nomes da música cubana, como Ibrahim Ferrer, Juan de Marcos González, Rubén González, Manuel “Puntillita” Licea, Orlando “Cachaito” López, Manuel “Guajiro” Mirabal, Eliades Ochoa, Omara Portuondo, Barbarito Torres, Amadito “Tito” Valdés e Pio Leyva. O disco foi premiado com o Grammy e promoveu um ressurgimento fabuloso de músicos cubanos que, em alguns casos, estavam no ostracismo por mais de 10 anos.

O disco é o tema central do documentário homônimo, dirigido pelo alemão Wim Wenders. Ver Buena Vista Social Club (filme).

Aos 94 anos, estreou nos palcos como ator, em uma peça intitulada “Se secó el arroyto” (algo como “secou-se o riozinho”), baseada em uma de suas canções e que narra os amores frustrados de um casal de jovens nos anos anteriores à Revolução Cubana (1959).

Entre as canções mais conhecidas interpretadas por Compay Segundo se encontram: “Sarandonga”, “Saludos, Compay”, “¿Y tú, qué has hecho?”, “Amor de la loca juventud”, “Juramento” e “Veinte años”. Certamente, a mais famosa de todas é “Chan Chan”, que, segundo dizem, já foi ouvida até no Vaticano.

Compay Segundo faleceu em 2003, em Havana, próximo a sua família e com o respeito e a consideração de seus patrícios. Deixou cinco filhos. Nonagenário e muito bem-humorado, disse certa feita que ainda não havia se esquecido de como era o amor e que queria um sexto filho. Atribuiu-se sua morte a “desajuste metabólico agudo com insuficiência renal”. Foi sepultado em Santiago de Cuba.

Hasta sempre…..

 

 

 

 

 

 

Diggy in the grave





15 12 2008

Leonard Cohen

 

 

Leonard Cohen é natural de Montreal, no Canadá, onde nasceu em 1934, e onde cresceu inserido no seio de uma família judaica. Perdeu o pai quando tinha 9 anos, e o interesse pela música surgiu poucos anos depois. Aos treze começou a tocar guitarra para impressionar uma rapariga, no entanto as intenções tornaram-se bem mais sérias passado um ano e Cohen começou a actuar regularmente nos bares da cidade.
Ao contrário do que tudo indicava, foi através da escrita que Cohen entrou para a vida artística. Licenciou-se em Inglês pela McGill University, tendo ganho inclusivamente o Prémio McNaughton na área da escrita criativa. Lançou livros de poesia, o primeiro dos quais, “Let Us Compare Mythologies”, viu a luz do dia em 1956; seguiram-se dois romances editados na década de 60, nomeadamente “The Favorite Game” e “Beautiful Losers”.
Apesar de parecer que a sua faceta de escritor de canções estava adormecida desde os seus tempos de adolescente, a verdade é que Cohen nunca deixou de as escrever. E foi por meio de um convite de Judy Collins, uma cantora folk que deu os primeiros passos em palco em meados de 60, que o músico passou a ver a música no seu futuro de modo mais concreto. Judy cantava uma versão do tema “Suzanne”, de Cohen, que teve grande impacto na altura, pelo que a cantora decidiu desafiar o músico para se lhe juntar em palco no Newport Folk Festival, em 1967. Muitos outros espectáculos vieram por acréscimo e Cohen acabou por assinar contrato com a Columbia Records, que fez chegar ao mercado o seu álbum de estreia “The Songs of Leonard Cohen”, em 1968. O disco tornou-se num alvo de referência musical e literária para milhares de estudantes universitários, assim como para muitos dos seus colegas escritores de canções.
Seguiram-se “Songs From a Room” (1969) e “Songs of Love and Hate” (1971), que apesar de terem sido bem recebidos pela crítica, que, no entanto, punha em causa os dotes vocais do músico, não convenceram os fãs da mesma maneira que o primeiro álbum. Em 1973, foi editado “Leonard Cohen: Live Songs”, para além do que Gene Lesser produziu uma peça de teatro baseada na música e na vida (supostamente) de Cohen, intitulada “Sisters of Mercy”.
“New Skin For Old Ceremony” viu a luz do dia em 1974, e três anos depois foi a vez de “Death of a Ladie’s Man”, aquele que foi considerado o álbum mais controverso de Cohen, que contou na produção com Phil Spector. Em “I’m Your Man”, editado em 1985, Cohen juntou ao pessimismo habitual na poesia das suas letras uma vertente humorística, se bem que mais próxima do humor negro.
Em 1992, “The Future” chegou ao mercado e, apesar da edição de alguns álbuns ao vivo nos anos que se seguiram, novo conjunto de originais só chegaria aos escaparates em 2001, numa altura em que já poucos esperavam o regresso daquele que é considerado um dos maiores escritores de canções de finais da década de 60.
Estávamos em 1993. Leonard Cohen tinha lançado no ano anterior o álbum “The Future”, que para além de ter sido muito bem recebido pelo público, foi alvo de rasgados elogios por parte da crítica.

Um dos mais recentes trabalhos de Leonard Coehn. “I’m your man” um disco em jeito de banda sonora para um documentário de Lian Lunson sobre Leonard Cohen. Tudo começou com uma encomenda da Ópera de Sydney para um espectaculo de homenagem a Leonard Cohen. Foram convidados fãs e seguidores devotos da obra do Poeta/Cantor.  Rufus e Martha Wainright, Nick Cave, Beth Orton, Jarvis Cocker (Pulp), U2 entre muitos outros.  Este documentário regista todos os momentos de bastidor, entrevistas, depoimentos, excertos desse espectaculo honemagem. Quanto à música que se pode ouvir neste disco. É excelente. Aqui percebemos o fascínio que Leonard Cohen provoca ao longo das décadas e acima de tudo a sua tremenda influência musical e poética.

 

Diggy in the grave





Jimmy Page, Eric Clapton e Jeff Beck: Stairway to Heaven

13 12 2008

Se existe Céu então deve ser assim… Rock clássico no se melhor