Destaques do mês de Março

5 04 2008

Meshuggah – obZen

obZen

Cada novo lançamento desta banda oriunda da cidade de Umea, Suécia, é já esperado com grande expectativa por parte da comunidade devota às sonoridades do Heavy Metal. Muito deste hype em torno da banda deve-se à sua constante capacidade de experimentação e inovação. Praticantes de uma sonoridade apelidada por uns de Techno-Thrash (entenda-se que o termo Techno aqui aplicado deriva de Technical ou Technology e nada tem a ver com qualquer forma de Dance Music e afins) ou Math Metal por outros, os Meshuggah caracterizam-se desde bastante cedo na carreira por não cederem às regras impostas pelos estilos mais clássicos do Metal. Quando em 2005 lançaram o álbum Catch Thirty-Three a crítica especializada não hesitou em tecer-lhes os mais rasgados elogios e muitas foram as publicações que se prontificaram a aclamar o álbum como o melhor desse ano na categoria Metal. Facto curioso é que este reconhecimento estendeu-se igualmente aos mais variados músicos dentro da cena, sendo o nome mais mediático deste lote o dos Tool, outra das bandas em grande destaque actualmente, que depressa se aprestou a encetar digressões conjuntas, contribuindo assim para a aura de respeito criada em torno deste quinteto. No entanto, este mesmo lançamento que propiciou uma ainda maior elevação de estatuto e culto à banda veio também dividir um pouco alguns dos seus fãs devido exactamente ao facto desta se aventurar na experimentação… em demasia. Composto por 13 faixas, este álbum é na realidade uma única longa música dividida em várias faixas, sendo muitas simples variações em torno de um único riff, perfazendo um total de 47 min. A novidade agora lançada é mais tradicional em termos da estrutura das músicas mas a banda continua a proporcionar riffs complexos com tempos pouco usuais, já autênticos trademarks do quinteto, pelo que se poderá dizer que se trata mais propriamente de uma nova fase na sonoridade da banda ao invés de um retrocesso a uma sonoridade já ultrapassada e mais confortável para o grupo, reformulando velhos truques e dando-lhes um ar de novidade como é frequente. O resultado consiste em 9 músicas distintas entre si, mais facilmente assimiláveis e a recuperar o groove do Thrash dos álbuns mais antigos, mas com a densidade e o sentido de profundidade dado pelos lançamentos mais recentes. Com construções rítmicas verdadeiramente fascinantes, o novo material soa agressivo e atmosférico em iguais proporções, tornando-se hipnótico em certos momentos muito graças a repetições de riffs que se prolongam pelo tempo absolutamente necessário para o efeito. Ao contrário das restantes bandas do movimento Math Metal, os Meshuggah conseguem explorar e alargar os limites de um estilo de música mantendo-se na ténue fronteira daquilo que é um formato musical compreensível para os ouvintes e o lançamento no vazio da experimentação sem sentido e divagação masturbatória de técnica e “instrumentalismo” comum a muitos dos seus pares. A sensação que se tem perante a música desta banda é a de estarmos perante um caos controlado onde o tempo, em vez de parar, deixa de ter sentido. Para aqueles que acompanham a carreira do grupo, a segurança de que obZen não irá decepcionar. Para os restantes, não estamos perante uma banda consensual e onde alguns poderão ver estruturas complexas e técnicas insidiosamente sedutoras, outros poderão ver barulho saturado e repetitivo desprovido de nexo. Não obstante qual a opinião a ter, a certeza de que se trata de uma banda singular e única.

http://www.meshuggah.net/
http://www.myspace.com/meshuggah


Mercenary – Architect Of Lies

Architect Of Lies

Apesar de não ser um dos primeiros países do cenário europeu que nos vem à cabeça quando se fala em termos de possuir um bom catálogo de bandas de metal, como o são actualmente a Suécia, a Noruega ou a Finlândia ou como tem sido o Reino Unido intermitentemente ao longo dos tempos, para citar alguns exemplos, a verdade é que a Dinamarca tem revelado uma cena em franco crescimento com potencial para se tornar no epicentro de uma nova renovação no “Som Eterno” e que pode vir a produzir nomes importantes ao mundo do Metal num futuro não muito longínquo. Na cena dinamarquesa actual, uma das bandas que merecem destaque e servem de exemplo para o potencial existente é sem dúvida estes Mercenary que ao longo da sua carreira têm debitado novos trabalhos de qualidade com regularidade, chegando assim ao seu quinto álbum de longa duração. Partindo de uma base de Death Metal melódico muito ao estilo da escola Sueca, com bandas como In Flames e Soilwork à cabeça, é no entanto difícil de catalogá-los especificamente neste género devido à combinação com elementos de Heavy/Power Metal que dão outra dimensão à música destes dinamarqueses. Por muito incoerente que possa parecer, a banda consegue combinar ambos os mundos e qualquer um dos géneros parece ter igual influência, pelo que se poderá dizer que a banda apresenta predicados que poderão agradar a fãs de ambos os estilos. Não obstante estarmos perante uma banda que possui óptimos músicos, podemos dizer, sem risco de injustiça, que a principal força motriz do projecto reside na voz, trabalho este dividido pelos vocalistas Mikkel Sandager, responsável pelas vozes limpas, e pelo também baixista Rene Pederson que interpreta as vozes mais ríspidas, o que permite à banda possuir combinações invulgares na sonoridade desenvolvida e realçar de forma eficaz a voz limpa do vocalista. Num trabalho desenvolvido numa base de bons riffs e ritmos, não faltam ocasionais bons solos de guitarra, que nunca chegam a extrapolar para o território do virtuosismo pacóvio, e ambiências proporcionadas por teclados equilibrados. Talvez não sendo o melhor álbum da carreira do grupo até à data, é sem dúvida um bom motivo para que quem ainda não lhes deu atenção se redima. Resta saber se será este o álbum que lhes trará maior reconhecimento.

http://www.mercenary.dk/
http://www.myspace.com/mercenarydenmark

the_passenger

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