Lista dos melhores concertos de 2008 em Portugal (dos que eu assisti, entenda-se…)

6 01 2009

Sim, é mais uma lista (o final de um ano / princípio de outro costuma ser bastante produtivo neste tipo de dissertações…). Desta vez venho apresentar-vos a lista dos melhores concertos a que tive a oportunidade de assistir este ano, apresentando um pequeno resumo de porque seleccionei cada um deles.

Iron Maiden + Slayer – Super Bock Super Rock 2008 @ Parque Tejo

Como não podia deixar de ser, o destaque este ano vai totalmente para o regresso dos Iron Maiden ao nosso país. Apesar de não ser novidade nenhuma (a banda já nos visitou várias vezes ao longo da carreira) este concerto gerava à partida expectativas muito especiais por estar integrada na Somewhere Back In Time World Tour 08. E a verdade é que essas expectativas não foram defraudadas. Tudo nesta digressão foi pensado ao pormenor, começando pelos sumptuosos cenários da digressão de promoção do álbum Powerslave até aos efeitos de luz de palco e pirotecnia, algo a que nunca tinha assistido com tanto ênfase num concerto de Iron Maiden. Não me vou alongar nos relatos deste concerto, apenas vos digo que foi o melhor concerto de Iron Maiden a que assisti, e provavelmente, opinião corroborada por quem os acompanha nestas andanças à mais tempo que eu, um dos melhores concertos que os ingleses já deram no nosso território (senão mesmo o melhor). Ainda hoje não consigo apagar da minha memória os momentos especiais que foram ver Bruce Dickinson envergar um manto negro à entrada de Rime Of The Ancient Mariner nem o efeito cénico criado durante a parte de narração desta música, com muito fumo e poucas luzes de palco, simulando na perfeição o barco à deriva no meio do nevoeiro que o texto descreve (conheço quem tenha ficado banhada em lágrimas perante este cenário), ou o fato de soldado que o mesmo Bruce Dickinson envergava enquanto empunhava a bandeira inglesa e cantava The Trooper, num longo desfilar de clássicos da melhor fase do grupo num setlist perfeito (e pouco mais há a dizer em relação a isto, porque Maiden é Maiden e não há volta a dar). Excepção feita para Fear Of The Dark que foi a única música mais recente que a banda tocou e que pessoalmente dispensava por mais um clássico de Seventh Son Of A Seventh Son ou Powerslave. E nem os ocasionais pregos (mais do que é costume para a banda) conseguiram estragar o ambiente de festa que se gerou no recinto (provocados, de acordo com fontes bem informadas, pela paixão que alguns elementos da banda nutrem pelo vinho português), suplantados pela entrega que a banda dedicou ao espectáculo. Quem foi sabe bem do que estou a falar, os que não foram podem resignar-se no arrependimento que irão carregar para a cova.
A acompanhar tivemos também o regresso em boa forma dos Slayer aos palcos portugueses, demonstrando porque razão são uma das bandas de culto do universo “metálico” mundial, e não eram poucos os que estavam lá para os ver.
Como nota negativa, apenas tenho a apontar o dedo à organização que decidiu trocar o alinhamento das bandas porque não souberam criar as condições para que as pessoas pudessem voltar para casa a horas tardias. Será que era muito difícil disponibilizar meios de transporte para os espectadores poderem voltar após o fim dos concertos? Principalmente tendo em conta a longa lista de patrocinadores oficiais do evento. Já para não falar dos preços indecentemente cobrados pelos autocarros da Carris para fazer o trajecto até à Gare do Oriente para depois apanhar mais transportes públicos. Infelizmente a Música no Coração tem muito a aprender em termos de profissionalismo para ver se têm um pouco mais de respeito pelo público que paga (e não é pouco) para ir a um festival e que merece melhor tratamento… Já vi mais profissionalismo e melhores organizações feitas por entidades amadoras, mas como em tudo já se sabe que quem só vê €€ à frente dos olhos não pode ser comparado a quem corre por gosto.

Iron Maiden @ SBSR 2008
Iron Maiden @ SBSR 2008
Iron Maiden @ SBSR 2008
Slayer @ SBSR 2008
Slayer @ SBSR 2008

Porcupine Tree @ Incrível Almadense

O meu segundo destaque vai inteiramente para o concerto dado pela banda de Prog Rock/Metal Porcupine Tree. Senhores de um já extenso catálogo de discos de qualidade indiscutível, estes músicos de eleição proporcionaram um concerto soberbo, aliando na perfeição a sua música com projecção de imagens e efeitos de luzes muito bem concebidos, criando a atmosfera perfeita para as composições de Steve Wilson e companhia. Em digressão de promoção ao EP Nil Recurring e ao álbum Fear Of A Blank Planet e, naturalmente, com maior destaque nesta fase da sua carreira, a banda soube apoiar-se num setlist equilibrado não esquecendo as outras fases, havendo espaço até para algumas surpresas como Stars Die, música que de acordo com as palavras do próprio Steve Wilson nunca tinha sido interpretada em palco anteriormente. O próprio espaço da sala da Incrível Almadense proporcionou um ambiente de intimidade entre músicos e público. E foi deveras interessante constatar a diversidade da “fauna” presente, cobrindo várias faixas etárias e estilos. Não faço ideia quem poderá interessar-se por este texto, mas bem posso dizer-vos que esta banda já merecia algum destaque, bem superior ao que tem sido divulgado no nosso país.

Porcupine Tree @ Incrivel Almadense
Porcupine Tree @ Incrivel Almadense
Porcupine Tree

Whitesnake – XVIII Expofacic @ Cantanhede

O terceiro destaque vai para o regresso dos Whitesnake ao nosso país, desta vez num sítio mais que improvável. A Expofacic realizada em Cantanhede (Coimbra) organizou uma série de concertos dos quais um dos dias recebeu os Whitesnake em digressão de promoção a Good To Be Bad, o mais recente trabalho da banda. Editado no decorrer deste ano (poderão ver alguns destaques a este trabalho em alguns posts mais abaixo e noutros mais antigos), este é já o 11.º álbum de originais da mítica banda de Hard Rock, rompendo com um estado de latência que durava à 11 anos. Havia muita curiosidade da minha parte em ver os temas deste novo trabalho interpretados ao vivo, mas a verdade é que a banda tem uma extensa discografia e muitos clássicos para tocar, pelo que os novos temas acabaram por não ser assim tantos. Mas os que foram interpretados não deixaram nada a desejar à carreira dos Whitesnake, se bem que foram naturalmente recebidos com menos entusiasmo pelo público, manifestando um claro desconhecimento em relação ao material novo. O tempo irá certamente estabelecer este álbum como um dos melhores da carreira do grupo. Quem teve oportunidade de ir assistiu a um concerto com a qualidade usual a que o grupo já nos habituou. Acompanhado por uma formação de qualidade, onde se destacam a dupla de guitarristas Doug Aldrich e Reb Beach, assistiu-se a um Coverdale com a voz um pouco gasta mas com o carisma e a presença de sempre, sabendo conduzir o público que apresentava um teor um pouco mais heterogéneo que o habitual, misto de rockers e metalheads do costume com famílias inteiras lá da terra guiadas pela curiosidade. E desta vez não tivemos a habitual pergunta “Cantanhede: is this still the city of Love?” da parte do sr. Coverdale antes de Is This Love, provavelmente por Cantanhede ser uma palavra de difícil pronunciação para um inglês. Pena é que não houvesse barragem à entrada do recinto para animais, uma vez que deixaram entrar duas espécies do género bovino vindas de terras espanholas que conseguiram incomodar toda a gente que ali se encontrava em seu redor. Mas pronto, tendo em conta que se tratava de uma feira agrícola (segundo dizem), até acabou por ser apropriado ao tema da feira. Pode-se dizer que tiveram sorte em não serem toureados ali em pleno concerto… Agradeçam aos Whitesnake por isso.

Whitesnake @ Cantanhede
Whitesnake @ Cantanhede

Down @ Coliseu dos Recreios

Os Down podem ser uma banda relativamente desconhecida no panorama português, pelo menos a julgar pela afluência de público registada, mas o stoner rock/metal praticado pelo grupo é viciante. Para quem não conhece, esta banda é um super-grupo que integra elementos dos extintos Pantera, Corrosion Of Conformity, Crowbar e Eyehategod. Como se isto não fosse já motivo mais que suficiente para gerar curiosidade, o resultado é um stoner metal na melhor tradição “Black Sabbathiana” com laivos do melhor rock sulista, condensados num som coeso e poderoso capaz de trucidar quem se mete no seu caminho. Foi num coliseu dos recreios relativamente despido de gente que os Down se apresentaram pela 1.ª vez ao público português. Tal cenário até pode ser enganador porque mesmo assim ainda estava lá bastante gente, mas revela um erro de casting brutal por parte da organização para a realização de tal evento. Numa sala de menores dimensões, tenho a certeza que teria esgotado. O problema é que salas de concertos de pequeno porte dignas desse nome na zona de Lisboa infelizmente começam a faltar desde que o Paradise Garage (que já de si também não era um espectáculo) abdicou desse serviço cultural e dedicou-se unicamente a ser mais uma casa nocturna como as outras (you can rot in hell, for all that I care…). Nada que intimidasse Phil Anselmo y sus muchachos, que não se rogaram à oportunidade de nos presentear com a sua música, num concerto em final de digressão onde deu para tudo, até para cantar os parabéns ao manager da banda e vê-lo tocar (trata-se de um dos guitarrista de Skid Row) e ver técnicos de luzes e roadies a tocarem malhas de Down, numa sessão de improviso, enquanto a banda se dedicava a beber umas cervejas e aos fumos. Interessante foi ainda a não existência de banda de suporte, que foi colmatada com a projecção de um filme/documentário sobre o grupo e filmagens das suas peripécias, junto com vídeos das bandas que servem de influência à sua sonoridade, onde nome óbvios como Black Sabbath e Lynyrd Skynyrd se juntam a nomes não tão óbvios como Scorpions e Thin Lizzy. A ideia foi boa e até é capaz de pegar moda, poupando-nos de ter que levar com a banda dos amigos dos organizadores como muita vez acontece por cá, infelizmente, independentemente de quais bandas de qualidade da nossa “cena” (que até existem por aí) se enquadrariam com a sonoridade dos cabeças de cartaz. Ficou ainda a promessa de Phil Anselmo em ver o Coliseu cheio da próxima vez que voltarem. Será que isso vai acontecer? A julgar pelo interesse que o público português revela pelos concertos que se realizam em Portugal, duvido… Serão reflexos da crise ou simplesmente uma elevada falha a nível cultural? Vocês que decidam…

Down @ Lisboa
Down @ Lisboa
Down @ Lisboa

Queensrÿche – Operation: Mindcrime Tour @ Aula Magna

Estreia em Portugal (tardia, diria eu) de uma das bandas mais proeminentes do Heavy Metal / Progressivo americano (e, porque não, mundial, 20 milhões de vendas não enganam). Banda que teve o seu apogeu nos finais dos anos 80 / princípio dos anos 90 e que foram responsáveis por alguns dos melhores álbuns do género, no qual o conceptual Operation: Mindcrime foi o mais proeminente de todos e um clássico absoluto para qualquer fã de Heavy Metal que se preze. Foi exactamente dentro da temática desse álbum que os Queensrÿche nos presentearam com a sua presença, tocando o álbum na íntegra para gáudio de todos os que se deslocaram à imponente sala situada na cidade universitária. Num cenário adaptado para representar a trama no qual se baseia o álbum, apresentaram um concerto teatral onde os adereços e a presença de actores secundários para a representação e narração da história não faltaram. Nada melhor pode descrever aquilo a que se assistiu como o comentário do homem já com alguns cabelos grisalhos que se encontrava sentado ao meu lado, após o final de Eyes Of A Stranger e todas as manifestações de agrado do público presente enquanto a banda se dirigia para a primeira pausa no concerto, que com um rosto onde se espelhava alegria e êxtase apenas me conseguiu pronunciar a palavra “Espectacular”, à qual eu correspondi com igual satisfação. Após esta pausa, a banda voltou ao palco para interpretar na íntegra o álbum Operation: Mindcrime II, editado em 2006 e que retoma a história desenvolvida no seu predecessor para a completar. Infelizmente, por mais voltas que se dê, o material desenvolvido neste álbum (letras à parte) não possui a mesma qualidade do clássico intemporal que a banda criou em 1988, o que acabou por prejudicar a actuação do grupo. A banda voltou ainda para um encore perante um público que entretanto já se encontrava de pé, abandonando as cadeiras onde até então tinha assistido ao concerto, completamente rendido à actuação da banda, para assistir à interpretação de mais 3 músicas retiradas de Empire, outro álbum clássico na carreira do grupo, já sem o recurso a adereços e figurantes, num ambiente de concerto rock / metal pela 1.ª vez nessa noite. Em suma, um concerto de quase 3 horas que a banda nos ofereceu. Para recordar.

Queensryche @ Aula Magna
Queensryche @ Aula Magna
Queensryche @ Aula Magna

Metallica + Machine Head + Apocalyptica + Metallica – Rock in Rio Lisboa @ Parque da Bela Vista

É com alguma pena que vos confesso que este concerto, desta lista que vos apresento, foi o que menos me agradou. Bem sei que muitos de vocês não irão concordar com esta opinião, mas posso-vos dizer que é a mais sincera que vos posso dar, tendo em conta também os restantes concertos a que aqui fiz referência. Aquilo a que assisti neste concerto de Metallica foi uma banda a meio-gás que estava a cumprir calendário. Pelo menos comparando com a edição anterior do Rock In Rio onde os Metallica actuaram e com o concerto dado o ano passado no Super Bock Super Rock, segundo relatos, porque este último, infelizmente, não tive oportunidade de assistir. Desta vez não houve nenhum momento especial como a Blackned ou a mais-que-fundo-de-catálogo Leper Messiah com que a banda nos brindou na edição anterior, mesmo com a banda a fazer promoção ao famigerado Saint Anger. Nem como Orion, mesmo sem Cliff Burton (Rest In Peace brother), como no ano passado. Foram uns Metallica que mesmo sem pica ou motivação extra já têm traquejo mais que suficiente para proporcionar um espectáculo agradável para um público que os idolatra, mas pouco mais que isso, não faltando as habituais músicas emblemáticas da carreira da banda. E o que dizer do público? Dividido entre os já batidos que instalaram um caos saudável na zona onde me encontrava e os tenrinhos adolescentes (fãs de Tokio Hotel??) que ali se encontravam e que nada faziam para contrariar os empurrões constantes, saí do concerto com os braços dormentes de tanto empurrar para arranjar espaço para respirar, até que me rendi às evidências e fui procurar um lugar onde pudesse assistir ao concerto sem ser pelos monitores, o mais perto do palco que consegui. Nunca me doeu tanto os braços no dia a seguir a um concerto, e para quem já assistiu a concertos de Napalm Death, onde mosh e gajos pelo ar é coisa que não falta é dizer muito… Antes dos Metallica tive a oportunidade para assistir a um concerto potente dos Machine Head, prejudicados pelo som, e onde o momento alto foi a interpretação de uma malha de Iron Maiden (go figure…) e que pouco mais de relevo consigo me lembrar (tivessem dado maior destaque ao álbum Burn My Eyes e aí a história certamente teria sido outra). Antes, tivemos ainda um agradável concerto dos Apocalyptica, melhores agora com uma formação onde se inclui um baterista mas onde infelizmente a maioria do material é instrumental, e uns Moonspell pujantes e em boa forma, fruto do espírito renovado na banda que se consegue sentir até para quem está de fora. Tudo integrado num recinto onde nada falta e onde tudo é pago a peso de ouro. Felizmente consegui arranjar um bilhete a preços mais em conta (a big thank you, my friend…). Por um mundo melhor (??) dizem eles. Só se for nos bolsos deles… Nota final para a organização: existem mais bandas com qualidade comprovada que vocês podem convidar para a próxima edição e que – pasme-se!!! – poderão exigir cachets menos avultados, e assim também poderão fugir ao cliché e à repetição a que vocês próprios votaram o festival. Pelo menos no dia de Metal, que nos outros podem fazer o que quiserem que aí não racho lenha. E a julgar pelas edições já realizadas é uma exigência que se pode fazer dado que o dia do Metal é dos que tem registado boas e constantes afluências de público.

Metallica @ Rock In Rio 2008
Metallica @ Rock In Rio 2008
Metallica @ Rock In Rio 2008

Bem, resta-nos esperar pelas surpresas que o novo ano nos reserva, enquanto eu assisto em desespero e impotente, nas actualizações e recados no meu myspace, às frequentes digressões de bandas que vêm à vizinha Espanha e retornam à Europa central porque Portugal simplesmente não é um mercado aliciante. Para já, já temos marcado um Priest Feast onde terei a oportunidade de reencontrar os Judas Priest e os Testament (que belas recordações guardo do concerto em Corroios!!!) mais uns Megadeth que eu espero estejam em boa forma e não me desapontem.
Já agora, se me permitem, quero formular um desejo: Richie Kotzen em Portugal para um espectáculo, pode ser até mesmo no Music Box, sítio onde têm sido enfiadas as velhas glórias do Hard Rock que nos têm visitado, que aquilo se calhar nem enche. Haja cultura em Portugal…

the_passenger

PS:  Nenhuma destas fotos é da minha autoria, foram todas encontradas algures na net. Honra seja feita aos respectivos autores, porque algumas estão simplesmente espectaculares





No gira-discos: Thin Lizzy, Judas Priest e Whitesnake

25 08 2008

Nesta última semana, o destino quis que voltasse a ouvir três grandes albuns ao vivo de três grandes bandas. Estes albuns marcaram as respectivas bandas e as suas carreiras, sendo marcos daquilo que deve ser um album ao vivo.

Embora tenha gostado de os voltar a ouvir a todos, nao posso deixar de dizer que o meu preferido (gostos não se discutem…) foi o “Live…in the heart of the city” dos Whitesnake. Só o prazer de ouvir o grande Jon Lord nas teclas… Soberbo!

Mas todos estes albums já têm mais de 20 anos e todos eles marcaram a história do Rock e do Heavy Metal. Porque será que na actualidade os albuns ao vivo deixaram de ter a importância que tinham? Será que não existe futuro para os bons albuns ao vivo? Ou será que como agora a oferta musical é tanta que estes passam despercebidos? Mesmo nas bandas mais recentes, e apesar das melhorias técnicas, não consigo vislumbrar albuns ao vivo que me tenham marcado e que tenham tido tanto impacto junto do público.





Destaques do mês de Abril

10 05 2008

Testament – The Formation Of Damnation

Testament

Nove anos (quase uma década!) separam o novo lançamento de originais desta banda do seu antecessor, o genial The Gathering, provavelmente o melhor álbum de Thrash Metal editado nos últimos anos e que constitui um marco na carreira da banda e do Metal no final do milénio passado. Os resultados obtidos nesse álbum, surpreendentes para muitos, talvez não o fossem tanto tendo em conta o verdadeiro “elenco” de luxo reunido nessa altura: aos resistentes da formação clássica dos anos 80, o guitarrista Eric Petterson e o vocalista Chuck Billy, juntaram-se o guitarrista James Murphy (Death, Cancer, Obituary), o baixista Steve DiGiorgio (Death, Sadus) e o baterista Dave Lombardo (Slayer, Fantômas). Uma autêntica reunião de “semi-deuses”, fazendo jus ao próprio nome do álbum, que lamentavelmente viria a ser curta na história da banda. História esta que se revelaria bastante atribulada nos anos seguintes… Dois anos após este lançamento, a banda viu o seu futuro tornar-se bastante sombrio com a notícia dos problemas de saúde em que Chuck Billy viu-se evolvido, a braços com uma forma de cancro que ameaçou a sua vida numa altura em que a comunidade ainda não se tinha refeito do choque da situação vivida por Chuck Schuldiner, líder dos Death (que acabaria por morrer em Dezembro de 2001). Felizmente o “mundo metálico” não assistiu à partida de mais um dos seus melhores artistas. Ainda nesse ano, e mesmo com as dificuldades causadas pelo tratamento de Chuck Billy, é lançado um álbum de regravações dos temas clássicos da banda com o nome de First Strike Still Deadly (alusivo a um dos temas lançados no início da carreira), já contando com o retorno de mais um dos elementos da sua formação clássica, o talentoso guitarrista Alex Skolnick, e debelada a doença do vocalista, a banda regressaria aos palcos em 2003. Em 2005 é anunciada uma digressão europeia de reunião do line-up clássico da banda, com o retorno de Greg Christian no baixo e a participação do baterista Louie Clemente em algumas datas. Chegando assim ao ano 2008 com o anúncio de um novo álbum, desta feita com 4/5 da sua formação clássica e agora acompanhados por mais um talentoso músico, o baterista Paul Bostaph (Forbidden, Slayer, Exodus), a curiosidade em torno do novo trabalho e de como esta formação responderia ao anterior trabalho após este longo hiato era mais que muita, agravado pelo facto de ser a primeira vez desde há muito tempo que este line-up se reuniria para compor novo material. Qualquer dúvida que existisse foi agora completamente desfeita: The Formation Of Damnation é um disco à altura da carreira dos Testament. Pegando onde The Gathering tinha ficado, com toda a energia que o grupo apresentou e todos os elementos modernos de metal musculado e melódico, contemplamos ainda um pequeno retorno à sonoridade da banda nos finais dos anos 80 em detrimento dos elementos mais Death Metal do trabalho anterior. O álbum é bastante coeso, com peso e velocidade sem exagero e um trabalho de guitarra cheio e melódico, frenético em momentos particulares. O desempenho de Chuck Billy é fenomenal, recorrendo menos aos tons guturais e dando mais destaque para as vozes mais rasgadas que domina com mestria. O desempenho de Bostaph é também fenomenal, e na verdade a banda soa tão coesa que não dá para destacar ninguém individualmente, valendo pelo colectivo e pelo trabalho contagiante que fará as delícias dos apreciadores do género. Numa altura em que se vive um revivalismo no género com o aparecimento de bandas a recriarem a sonoridade desenvolvida nos anos 80, estes veteranos regressam em grande para mostrar às novas gerações como se faz. Estamos perante o retorno de uma das mais influentes bandas do género, trazendo-os de volta ao lugar merecido como banda de topo do movimento Thrash Metal. Numa carreira que já conta com 25 anos às costas desde o primeiro lançamento, ainda ter forças para apresentar um trabalho cheio de vigor e relevância como este é obra!!!

http://www.testamentlegions.com/
http://www.myspace.com/testamentlegions

Whitesnake – Good To Be Bad

O outro destaque deste mês é mais um retorno. Um que talvez poucos ainda acreditassem vir a ser possível… A novidade que dá pelo nome de Good To Be Bad é já o 11º álbum de originais lançado pelos Whitesnake e o primeiro a ver a luz do dia desde há muito tempo… Dez anos, para ser mais preciso, separam este álbum do anterior Restless Heart, o qual foi inicialmente previsto ser lançado a solo pelo vocalista e fundador do projecto David Coverdale, mas que por pressão da editora acabaria por ter associado o nome Whitesnake, saindo com a estranha designação de “David Coverdale & Whitesnake” e lançando a confusão entre os fãs. Coverdale acabaria finalmente por encetar uma carreira a solo lançando em 2000 o álbum Into The Light, virando-se para o Rock em versão mais bluesy do início de carreira dos Whitesnake. Esta opção acabaria por ser curta, com Coverdale a reformular os Whitesnake aquando do vigésimo quinto aniversário da banda para uma série de concertos. Esta nova reencarnação não viria a quebrar o hiato no que a novos lançamentos diz respeito, tendo o jejum sido saciado apenas em 2006 com o lançamento de um duplo-CD ao vivo com o nome Live… In The Shadows Of The Blues e a inclusão de 4 faixas inéditas em jeito de bónus. Sabendo a pouco, estas 4 músicas, que no geral revelam ser interessantes q.b., acabariam por não evitar algumas dúvidas quanto à vitalidade desta nova era dos Whitesnake, apesar das irrepreensíveis e entusiasmantes actuações em palco do grupo. A magia em palco era notória, mas se essa magia funcionaria na elaboração de novos temas num trabalho de longa-duração era um factor que viria a levantar muita curiosidade entre os fãs para com o anunciado novo lançamento de originais que chegou agora às lojas em Abril. Após uma audição atenta, o mínimo que se pode dizer é que quem esperou por este lançamento não estará certamente desiludido com o resultado. O álbum vem provar que a banda ainda tem bastante combustível para manter a chama acesa. Todos os elementos que tornaram a banda famosa nos anos 80 se encontram presentes, estando a sonoridade próxima da desenvolvida nos álbuns Slide It In, 1987 e Slip Of The Tongue, conseguindo ainda apresentar algumas surpresas com músicas em toada ligeiramente mais bluesy na segunda metade do álbum, num pacote recheado com composições interessantes. Nas canções contidas no CD encontram-se riffs do melhor que o Hard Rock consegue produzir nos dias de hoje, com óptimas melodias, onde não faltam músicas capazes de fazer as delícias de qualquer fã do género, pontuadas por baladas de bom gosto a que a banda já nos habituou ao longo dos anos. Mas acima de tudo temos aquela voz… A Voz, única, inconfundível e lendária do Mestre Coverdale. O tempo parece não fazer grande mossa neste senhor, continuando a ter uma actuação arrepiante numa carreira que já leva mais de 30 anos, desde os tempos em que deu voz aos Deep Purple, marcando eternamente o seu nome nas páginas da história do Rock. Igualmente digna de destaque é a dupla de guitarristas formada por Doug Aldrich (Dio) e Reb Beach (Winger, Dokken), mais nomes a juntar aos de um passado marcado por guitarristas de elevada categoria onde se incluem Adrian Vandenberg, John Sykes ou Steve Vai. Fossem outros os tempos e este álbum estaria talhado para ter um airplay e exposição mediática enorme, produzindo hit após hit, mas já todos sabemos o espaço a que o Rock foi votado nos dias de hoje, e como tal não se espera que Good To Be Bad venha a ter a notoriedade que lhe é merecida. Para quem quiser romper as tendências actuais ou apenas desfrutar de um bom álbum de Rock, está perante um CD altamente recomendável.

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